A gripe das Aves muda alguma coisa?

Quando um dia o fui buscar ao Canil
Municipal, jurei-lhe que nunca o abandonaria!
Fazia muito
frio, ele estava todo molhado, tinha chovido, tremia de frio! Tinha
um mês. A mãe e os irmão tinham partido nesse
dia, estava só.
Perante o desespero daqueles olhos
negros, misto de medo e doçura, jurei que nunca lhe faltava o
carinho, a protecção e o amparo enquanto ele vivesse,
principalmente na velhice, ou quando tivesse doente.
Vivemos
momentos bons! Vivemos momentos maus!
Quando o desespero me
atingia com força, era ele que estava sempre ali ao meu lado,
quieto, com a cabeça nos meus joelhos, a fazer aqueles olhos
meigos, que não esqueço. Um dia em que eu chorava, juro
que lhe vi uma lágrima. Companheiro e amigo.
Quando
estou doente, é o seu corpo que me aquece, fica sempre
quietinho, ali em cima da minha cama, aos meus pés, atento,
vigiando e velando o meu sono.
Dividimos a comida, quando estou
só e não me apetece comer. Pedincha uma gulodice, eu
nego, ele não compreende. Fica de orelha caída. Mas
depressa esquece, volta para junto de mim, feliz.
E aquele
Natal em que em todas as casas as famílias se juntavam para o
comemorar, em alegre confraternização, o meu Cão
foi a minha única companhia. Brindámos aos bons e maus
bocados da vida, da minha e da dele. Ele teve uma prenda, eu, uma
lambidela de felicidade e de verdadeira amizade.
Nunca me
abandonou. Nunca o abandonei!
Hoje, enquanto eu leio nos
jornais que alguns amigos dele, estão a ser abandonados ou os
querem abandonar, ele olha para mim sem conseguir entender o ser
humano. Que mal fizeram os seus amigos?
- Lê mais dono,
lê! Parece perguntar, o seu olhar quase em pânico.
E
eu leio para ele:
- Dizem as notícias que um virus
H5N1, o tal conhecido por “gripe das aves”, contagiou 1
cão, 3 gatos e uma fuinha, no mundo inteiro.
- No mundo
inteiro? Pergunta ele! Sim no mundo inteiro, respondo eu. E por isso
os humanos, aqui onde nós moramos, começaram a
abandonar os seus animais.
- E aqui onde nós moramos
também há essa tal gripe? Os seus olhos estão
desesperados, à procura de uma resposta negativa.
-
Aqui não chegou nada ainda, estamos todos bem, respondo eu.
Estamos todos bem, sossega.
- E os meus amigos felinos, sim eu
tenho amigos gatinhos e estou preocupado, o que vão fazer com
eles?
- Infelizmente já começaram a abandonar os
gatos - respondo eu – mesmo aqueles teus amiguinhos que nunca
vieram à rua, que não sabem sobreviver sozinhos porque
os seus donos sempre lhes deram comida. Mesmo os que vivem em
colónias de gatos, já não são
alimentados. Há pessoas que estão mal informadas e não
deixam que se aproximem deles.
- Mas eles não estão
doentes, pois não?
- Não, não estão
doentes.
- Então porque é que isso está a
acontecer? Eles assim são obrigados a caçar para se
alimentarem! E ficam em perigo, não só dessa tal gripe,
como de todas as outras doenças. Porque os homens têm
assim tanto medo?
- Pois, o ser humano é muito
complicado, promete e depois abandona, dá e depois tira. Mata
por matar. É complicado, para vocês animais
entenderem.
Ele olha para mim em pânico e interroga-se
se o irei também abandonar.
Afago-lhe o pêlo,
aperto o seu corpinho frágil contra mim e prometo. Ah sim,
prometo! Nunca o vou abandonar.
Ele ainda pergunta.
- E
quando o ser humano tiver essa gripe, o que vão fazer os seus
familiares?
A pergunta fica no ar sem resposta.
- Então
porque não informam os homens que não nos podem
abandonar, que devem informar-se bem do que se está a passar,
ir ter com os Veterinários para saber como tratar de nós
e não terem medo, obter informações junto das
entidades governamentais. Por enquanto não há que ter
medo, não há nada para ter medo! Diz a eles, dono, que
não há motivo para alarme e que não abandonem os
meus amigos.
Depois suspira profundamente aliviado e adormece
feliz, sabendo que o seu fiel dono, nunca o abandonará.
Eu
apelo em nome do meu cão, dos seus amigos gatos, e de todos os
animais em geral que não os abandonem, não há
motivo para isso. Os casos que ouvimos falar são de animais
que vivem no campo e que tiveram contacto com as aves doentes,
aconteceu a eles, como nos pode acontecer a nós humanos.
Prevenção, higiene, protecção,
compreensão, informação e muito amor,
precisa-se.
Não abandone o seu animal! Você
precisa tanto dele quanto ele precisa de si.
Franky